UMA TRÉGUA DISTANTE DA PAZ

por José Goulão*
O cessar-fogo na Síria patrocinado pelos Estados Unidos e a Federação Russa, levando a reboque uma ONU cada vez mais desqualificada, manipulada e irrelevante, poderá poupar vidas humanas, permitir um sabor de normalidade a populações sujeitas há meia década ao pavor da guerra, proporcionar até alguns dias e noites livres da angústia do medo. Mas pode ser também uma traiçoeira ilusão, se os tutelares desta iniciativa não forem além dela de forma a encontrarem uma solução capaz de restabelecer a soberania, a integridade e a paz na Síria.
Este é o cerne da questão. Além de precário e periclitante, o cessar-fogo não está a ser acompanhado por medidas credíveis capazes de o consolidar e transformar em acordo de paz. Procurando não interpretar as violações já cometidas como sinais de fracasso à vista – como fazem os que vêem na guerra um caminho inevitável – a verdade é que os episódios de violência ocorridos já durante a suspensão dos combates revelam a fragilidade do acordo, apesar de conseguido pelas duas mais poderosas potências mundiais.



